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Salas e Abismos, Waltercio Caldas
 24.Out.2009 a 21.Fev.2010

É com satisfação que a Fundação Vale e o Museu Vale, em seu 11º aniversário, presenteiam o público com a obra do artista Waltercio Caldas. Natural do Rio de Janeiro, Waltercio é considerado um dos artistas brasileiros de maior renome internacional, tendo exposto em instituições consagradas de diversos países. No Brasil participou como convidado de edições das bienais de São Paulo em 1983, 1987 e 1996, e representou o país na Bienal de Veneza de 1997.

Seus trabalhos estão nos acervos dos principais museus do mundo, como o MoMA, de Nova York, ou ainda a Neue Galerie (Kassel), e de museus brasileiros, como o Museu de Arte Moderna de São Paulo e o do Rio de Janeiro. Suas esculturas em espaços públicos podem ser vistas em Leirfjord (Noruega), Paseo de las Américas, em Punta del Este (Uruguai) ou ainda na Avenida Beira-Mar, no Rio de Janeiro. Em 2007 criou especialmente para a 52ª Bienal Internacional de Arte de Veneza um ambiente chamado Half Mirror Sharp, instalado no Pavilhão Itália, ora integrante da exposição Salas e abismos com exclusividade. Em 2008, a Fundação Calouste Gulbenkian, em Portugal, e o Centro Galego de Arte Contemporáneo, na Espanha, apresentaram duas importantes mostras do artista.

Salas e abismos reúne pela primeira vez nove instalações, ou ambientes, como Waltercio prefere descrever, em um mesmo espaço, criando uma nova visão de sua obra através de um universo singular. Não sendo uma retrospectiva – há uma sala inédita, Silêncio do mundo, concebida especialmente para a mostra –, essa seleção de trabalhos do artista possui uma característica: o desejo específico de fazer com que as obras se relacionem, dialoguem umas com as outras, com o espaço, criem uma tensão e uma união próprias. As obras foram desenvolvidas ao longo da carreira do artista, projetadas para ocupar lugares específicos, onde o espaço é tratado com ênfase em cada uma delas. Daí a designação de ambientes para os trabalhos, que pela primeira vez são exibidos em conjunto. A seleção feita por Waltercio considera o espaço de exposições do Museu como linguagem, propõe novos e surpreendentes lugares para o olhar e apresenta – mais uma vez – os princípios poéticos da obra do artista.

A oportunidade de descobrir novos caminhos, assim como a possibilidade de um novo começo –características inerentes à obra de Waltercio e, mais especificamente, à concepção desta exposição –, encontram sintonia com a atuação da Fundação Vale, que trabalha articulada com atores sociais, desenvolvendo programas e projetos que fortalecem o capital humano e as identidades culturais locais. Uma ação reverbera na outra e desdobra-se em novas possibilidades de percepção do espaço para aqueles que dela usufruem, enquanto sujeitos, cidadãos e coletivo. Com esta exposição, a Fundação Vale confirma sua convicção na arte e sua atuação através da cultura como valioso meio de expressão universal.

Fundação Vale

Artista

Waltercio Caldas nasceu em 1946 no Rio de Janeiro. Foi aluno do artista Ivan Serpa e fez sua primeira mostra individual no MAM do Rio de Janeiro, em 1973, considerada a Exposição do Ano, pela Associação Brasileira de Críticos de Arte. Nos anos 70 editou a revista Malasartes e lecionou artes e percepção visual no Instituto Villa-Lobos.

É considerado um dos artistas brasileiros de maior renome internacional, tendo exposto em diversos países: Kanaal Art Foundation (Kortrijk, Bélgica, 1991); Stedelijk Museum (Schiedam, Holanda, 1992) e Documenta 9 de Kassel (Alemanha, 1992); Centre d’Art Contemporain (Genebra, Suíça, 1993). Participou da exposição ‘Latin American artists of the twentieth century’ no Museum of Modern Art (MoMA) em Nova York, 1993. Foi convidado para as Bienais de São Paulo em 1983, 1987 e 1996. Representou o Brasil na Bienal de Veneza de 1997. 

Seus trabalhos estão nos acervos dos principais museus do mundo como o MoMA, de Nova York, ou ainda a Neue Galerie (Kassel) e museus brasileiros como os Museus de Arte Moderna de São Paulo e Rio de Janeiro.

Suas esculturas em espaços públicos podem ser vistas em Leirfjord (Noruega), Paseo de las Américas em Punta del Este (Uruguay) ou ainda na Avenida Beira Mar no Rio de Janeiro. Sua produção é analisada em diversos livros como, por exemplo, Aparelhos, com ensaio de Ronaldo Brito (1976) e Waltercio Caldas com texto de Paulo Sergio Duarte editado pela Cosac Naify (2001). Waltercio é também autor de livros como Manual da Ciência Popular (1982), Velásquez (1996) e Notas, ( ) etc (2006) e dirigiu o vídeo Rio (1996).

Em 2007, por convite de Robert Storr, curador geral da 52ª Bienal Internacional de Arte de Veneza, cria especialmente um ambiente chamado Half Mirror Sharp, instalado no Pavilhão Itália, que faz parte da exposição do Museu Vale. Em 2008, a Fundação Calouste Gulbenkian em Portugal e o Centro Galego de Arte Contemporanea apresentaram duas importantes exposições do artista.

Curador

Salas e abismos

Da obra de Waltercio Caldas sempre fez parte a exposição, ou seja, o modo como os trabalhos aparecem. Talvez o núcleo mesmo da poética do trabalho tenha sido desde o início apenas este: como aparecer? O dispor da obra numa organização refletida como agora em Salas e abismos manifesta a oportunidade inédita de experimentar suas possibilidades de aparecer num determinado espaço. Salas e abismos é uma espécie de suíte da obra de Waltercio: um conjunto de nove salas em sequência que formam uma trajetória artística de mais de trinta anos. 

Como experimentá-las? Salas e abismos indica, a princípio, uma conjunção simplesmente absurda e em tudo oposta de elementos impossíveis de estar juntos, de tão excludentes entre si. Mas é justamente esse “entre” que interessa a Waltercio, essa espécie de parênteses mental que o trabalho propõe ao espectador. As salas nos conduzem menos por uma trajetória contínua e regular do que por falhas intencionadas, sequências interrompidas, silêncios, partes seccionadas, substituições repentinas, de modo que oscilamos entre chão e a vertigem, pois não há uma sem a outra. 

Indo de uma sala a outra, de um trabalho a outro, atravessamos literalmente a obra por um percurso que não é retrospectivo, mas atual a cada momento percorrido. Aqui não há mais espaço e tempo absolutos; ambos se dissolvem e convidam a um movimento introspectivo, e o caminhar de todos tende, nas salas, ao deambular do filósofo, à distração pensativa.

Paulo Venancio Filho