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Água Viva, Shirley Paes Leme
 06.Jun.2012 a 12.Ago.2012

A Fundação Vale, através do Museu Vale, apresenta ao público a exposição Água Viva, de Shirley Paes Leme. Artista mineira, Shirley possui uma formação intensa e diversificada, fortalecida por estudos com mestres como Amilcar de Castro, e viagens e exposições em diversos países, estabelecendo uma trajetória sólida e em permanente expansão na arte contemporânea.

Ao criar a mostra Água Viva especialmente para o Museu Vale, Shirley Paes Leme dá sequência ao tema dos Seminários Internacionais Museu Vale realizado em março: “Se essa rua fosse minha… sobre desejos e cidades”, em que busca estreitar interações e trocas de experiências com a cidade de Vitória, desenvolvendo uma pesquisa há doze anos sobre o uso do tanino, de onde é extraído o pigmento para tingir o objeto que faz parte da antiga e tradicional cozinha capixaba: a panela de barro. Para tal, a artista teve a colaboração da Associação das Paneleiras de Goiabeiras. Paes Leme, que já vem de um instigante trabalho com as comunidades em diversas cidades pelo mundo, cria assim um interessante site specific para o Galpão do Museu Vale, valorizando elementos da cultura local. Apropriando-se e experimentando a argila, Shirley elabora formas físicas e desenhos relacionando-se com o elemento água.

A Fundação Vale reconhece nesta iniciativa os princípios que norteiam suas ações: construção e preservação da cultura local, e acesso de crianças e jovens a processos de fruição e de produção cultural e artística. Faz parte da proposta de atuação da Fundação Vale valorizar e fortalecer as identidades culturais regionais, por meio da preservação da memória, do patrimônio histórico-cultural dos locais em que a Vale atua. Esta exposição é um exemplo de como a arte pode abordar questões importantes para as vivências no mundo contemporâneo.

Fundação Vale

Curador

Água Viva é o título de um livro escrito por Clarice Lispector em 1973. Shirley Paes Leme emprestou o título para esta exposição e usou frases extraídas do livro como parte de sua própria obra, desse modo demonstrando respeito e transmitindo sua admiração pela grande autora brasileira. Os textos de Clarice exploram a linguagem profunda como expressão direta da existência humana. Ao usar vários materiais e suportes, Shirley Paes Leme lança uma investigação sobre a condição humana em nosso meio ambiente.

O tema da exposição é a água, em todos os seus versáteis aspectos. A instalação Água dura, que se encontra na primeira galeria, contém diversas panelas de cerâmica, dispostas aleatoriamente sobre o chão, próximas a uma grande panela de ferro, na qual se encontram resíduos químicos resultantes da evaporação de água de torneira. Os ceramistas locais, conhecidos tradicionalmente como “paneleiras”, impregnam seus produtos com um agente extraído das cascas das árvores do mangue. A instalação alude à velha noção dos quatro elementos: Terra (argila ou minério), Água, Fogo (no que se refere ao uso de fornos) e Ar (evaporação). Esse processo tornou-se parte de uma manifestação escultórica.

No espaço adjacente, a instalação Olho d’água faz uma reinterpretação dramática do título, que originalmente descreve um ponto de encontro onde a água é fornecida tanto para os seres humanos quanto para os animais. O espaço aqui é totalmente envolto por lâminas de alumínio iluminadas, que constroem um delírio óptico infinito, criando uma experiência quase física de ser sugado por um redemoinho e atirado num abismo.

No longo hall da segunda galeria, a instalação Água viva é concebida como sugestão e estímulo da comunicação entre os seres humanos e os meios. Aqui, a artista faz a conexão entre uma poética visual e os pântanos do mangue na costa próxima. Shirley Paes Leme recita as palavras de Clarice Lispector, moldando as inscrições nas paredes de modo a evocar as raízes do mangue, refletidas nas lâminas de alumínio brilhante da “água”. O espaço contém também uma projeção em tempo real da paisagem marítima do exterior do museu, desse modo pleiteando uma inter-relação fluida entre o museu e seu entorno.

Os desenhos em grande escala, todos pertencentes à série Fontes, estão localizados no andar superior do prédio administrativo. O gesto dos desenhos reflete sobre a figura do crescimento, tirada dos mangues. Ao usar tinta e resina, originadas das cascas das árvores do mangue, a artista tenta evidenciar o seu tema ao máximo. O título Palavra d’água para os desenhos sobre alumínio sugere algo semelhante a um oráculo artístico nascido da água.

Publicação

Artista exibe “Água Viva”, mostra que transformará o museu em um lugar líquido e aquoso que inter-relaciona literatura, cidade, pertencimento e memória
Shirley Paes Leme ocupa o Museu Vale a partir de junho, com exposição que estimula e desafia o público a construir sua própria forma de perceber a realidade, além de valorizar elementos da cultura local. Em uma sala com piso espelhado, as pessoas se vêem diante de imagens refletidas e invertidas – não apenas de si mesmas, mas do próprio ambiente. O espectador, levado a navegar pela inter-relação da obra com o lugar, torna-se parte desse espaço real e virtual. Assim começa o percurso de “Água Viva”, exposição de Shirley Paes Leme que o Museu Vale realiza de 1º de junho a 12 de agosto, por iniciativa da Fundação Vale e com patrocínio da Vale. A mostra, que tem curadoria de Jürgen Harten, reúne quatro diferentes experimentos sensoriais concebidos pela artista, que foi aluna de Amilcar de Castro na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais. Shirley expõe no Brasil desde 1975 e em diversos países desde 1983, além de colecionar prêmios importantes.

Heterotopia e percepção

Shirley desenvolve, desde 1984, estudos e pesquisas sobre o conceito de heterotopia, desenvolvido pelo filósofo Michel Foucault. Em 1986, escolheu esse assunto para seu doutorado. Segundo Foucault, heterotopias são espaços específicos que se situam “dentro” dos espaços sociais cotidianos, porém com funções diferentes e às vezes opostas. Tais espaços, que reúnem resquícios de vários outros espaços e tempos, formam um conjunto que foge do cotidiano e permitem experiências paralelas diversas. Sons, luzes, imagens e corpos humanos em movimento ou imóveis tecem, assim, uma malha de energias que interagem entre si e criam um novo espaço. “A pesquisa sobre espaços é permanente e continua até hoje”, explica a artista, que mantém um grupo de estudos sobre o tema em São Paulo, com integrantes de vários estados brasileiros e também de outros países.

A exposição

Logo na entrada, a artista propõe uma reflexão sobre a água e a falta dela: a instalação “Água dura” abriga recipientes cerâmicos fabricados especialmente pelas tradicionais paneleiras do bairro de Goiabeiras, em Vitória/ES, com quem Shirley Paes Leme vem trabalhando há mais de um ano. No fundo dos recipientes há resíduos secos de águas recolhidas das torneiras da cidade de Vitória/ES. Esses resíduos formam desenhos aleatórios, em virtude do contraste entre sua cor clara e a cor escura do fundo das panelas de argila.

Nas paredes da sala com piso espelhado, desenhos feitos com tinta extraída da casca de árvores dos mangues locais – material que Shirley pesquisa há 12 anos – mostram linhas que se entrelaçam com um emaranhado de palavras e frases extraídas do livro “Água Viva”, de Clarice Lispector, que dá nome à mostra. “Os desenhos nas paredes contêm referências tanto à literatura, à poesia, à criação feita pelo homem, quanto à percepção direta da natureza”, pontua a artista. Assim, trazem à tona a questão das formas de conhecimento e compreensão do mundo e da necessidade do homem de situar-se sempre, buscando entender permanentemente o que se encontra ao seu redor, contextualizado com o espaço e o lugar onde vive. A projeção de um filme completa a sala.

“O chão espelhado funciona como uma heterotopia, no momento em que transforma este lugar, o que ocupo no momento em que me vejo no espelho, num espaço que é, ao mesmo tempo, absolutamente real (associado a todo o espaço que o circunda) e absolutamente irreal, já que para perceber o real é necessário atravessar esse “ponto virtual” que está do lado de lá do espaço” reflete Shirley, citando Foucault. “Há uma fusão da imagem do individuo com a imagem do lugar incorporado na paisagem. O individuo se procura no espaço e, ao olhar de cima para baixo, percebe uma distorção da sua imagem e da imagem do lugar. Ele é inserido na imagem de uma outra maneira, em uma outra posição. Há o reflexo da imagem de seu corpo e do corpo arquitetônico do lugar”, diz Shirley Paes Leme, que pretende com isso estimular a criação, pelo público, de um “lugar” onde aconteça “um relacionamento, um contato vivo e ativo de prazer e experimentação”.

Para Shirley, visto de longe, o chão espelhado – essa superfície “molhada” – assemelha-se a um mar que aceita os passos de transeuntes que, de dentro dessa sala, podem ver o mar e toda a paisagem do entorno do Museu, questionando o discernimento entre o real e o não real.

A sala seguinte, pequena e totalmente espelhada, simula no espectador a sensação de estar em um poço profundo. “A sensação é de uma perda de chão, que de certo modo reflete esse “abismo contemporâneo” em que se vive atualmente, com poucas certezas e constante mudança”, explica Shirley. A última sala, situada no terceiro pavimento do museu, exibe em suas paredes desenhos sobre tela, produzidos com a mesma tinta feita a partir das cascas das árvores do mangue que foi usada para os escritos da primeira sala.

Diálogo com o entorno

Ao criar “Água Viva” especialmente para o Museu Vale, Shirley Paes Leme buscou intensificar as interações e trocas de experiências com a cidade de Vitória. Além da colaboração com as paneleiras de Goiabeiras e do uso da tinta extraída dos mangues da região, Shirley Paes Leme realizará um workshop para o público. Qualquer interessado – estudantes de artes, paneleiras, o público em geral – pode participar. O workshop tratará da poética dos trabalhos apresentados na mostra, com parte prática e lúdica. Haverá também performances em todo o período da mostra, com propostas feitas pela equipe educativa aos visitantes agendados, e também por meio de ações espontâneas estimuladas junto ao público em geral. A artista desenvolverá ainda várias ações com a comunidade local, como oficinas para as paneleiras de Goiabeiras e para professores das redes municipal e estadual, além de performances com estudantes da UFES e com a comunidade em geral.

A artista
Nascida em 1955, iniciou em 1975 sua formação artística no curso de Belas-Artes da UFMG e foi aluna de Amílcar de Castro. Entre 1981 e 1986 viajou para diversos países; estudou na Universidade do Arizona em 1983, no Instituto de Arte de San Francisco e na University of California, Berkeley, em 1984. Em 1986, obteve o título doutora em Artes na J.F.K. University, Berkeley. Foi bolsista da Fundação Fullbright de 1983 a 1986. Executa desenhos, intervenções, performances e instalações. Tem recebido vários prêmios nos principais salões brasileiros e norte-americanos. Realiza exposições individuais no Brasil e no exterior. Participa de coletivas desde 1975, com destaque para Novos Valores da Arte Latino-Americana, no Museu de Arte de Brasília, 1989; Bienal de Lausanne, 1993; VII Bienal da Polônia,1995; Deux Artistes Brésiliens: Amílcar de Castro et Shirley Paes Leme, Paris, 1996; Die Anderen Modernen, Casa das Culturas do Mundo, Berlim,1997; e Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX e Diversidade da Escultura Brasileira, Itaú Cultural, 1997. Em 1999 participou do programa Artista em Residência no Kunstlerhaus Bethanien, em Berlim. Em 2000 participou das seguintes mostras: II Bienal do Mercosul, Porto Alegre; VII Bienal de La Habana, Cuba; Mostra do Redescobrimento -Brasil +500, São Paulo e Século XX: Arte do Brasil, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal. Em 2001: Bienal 50 anos, São Paulo; e Côte à Côte – Art Contemporain du Brésil, musée d’art contemporain de Bourdeaux, França. Dentre suas mais recentes exposições individuais estão Horas, Galeria do IAV (Goiânia, 2010); “Heterotopias Cotidianas”, Dragão do Mar Arte e Cultura (Fortaleza, 2009); “Ambulantes: Estructura-Acción”, Intervenção Urbana, Cidade do México, (México, 2008); “Endless End (Fim sem Fim)”, Sesc, (São Paulo, 2008) e Desenho : Atitude, Nara Roesler Galeria de Arte, (São Paulo, 2007).

O Museu Vale

O Museu Vale é uma iniciativa da Fundação Vale que faz parte de sua estratégia de valorizar e fortalecer as identidades culturais regionais, por meio da preservação da memória e do patrimônio histórico-cultural dos locais em que a Vale atua. Com esta proposta, a Fundação contribui para a educação patrimonial e o acesso de crianças e jovens a equipamentos e processos de fruição e de produção cultural e artística.

Principal ícone da arte contemporânea no Espírito Santo, o Museu Vale tem como objetivo promover exposições, workshops para universitários e artistas, e oficinas com crianças e adolescentes das redes pública e particular de ensino, bem como preservar a história do universo ferroviário. Seu espaço abriga o acervo de filmes, fotos e textos históricos do Centro de Memória da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), ferrovia da Vale por onde passa o único trem de passageiros diário do Brasil que percorre longas distâncias.
Desde que foi inaugurado, em 15 de outubro de 1998, o Museu já recebeu mais de um milhão de visitantes e sediou 36 importantes exposições, dentre as quais “Babel”, de Cildo Meireles (2006, com itinerância na Estação Pinacoteca do Estado de São Paulo e detentora do Troféu APCA de melhor exposição do ano); “Salas e abismos”, de Waltercio Caldas (2009); “Amazônia, a arte” e “Atrás do porto tem uma cidade”, de Eder Santos (2010); “Anticorpos”, dos Irmãos Campana (2011), além de “Fermata”, de OSGEMEOS (outubro/11 a fevereiro/2012).

Por meio de seu Programa Educativo, que já beneficiou mais de 21 mil jovens da Grande Vitória, o Museu Vale realiza workshops criados por arte-educadores convidados e ministrados por estagiários de nível universitário. Também como parte da iniciativa, jovens aprendizes recebem capacitação em ofícios relativos à montagem e desmontagem das exposições.

Serviço
Água Viva
Instalação de Shirley Paes Leme
Curadoria: Jürgen Harten
Textos: Doreet Levitte Harten, Cauê Alves, Marcelo Campos e Daniela Castro
1º de junho a 12 de agosto 2012

Museu Vale
Antiga Estação Pedro Nolasco, s/nº – Argolas. Vila Velha/ES
Telefone: 55 (27) 3333-2484

Assessoria de Imprensa Vale
Marta Moreira (ES)
marta.moreira@vale.com
(27) 3333-3717 / 9312-8848
Cláudia Siúves (RJ)
claudia.siuves@vale.com
(21) 3814-4823 / 8400-0872

Assessoria de Imprensa da Exposição
Meio e Imagem Comunicação
Ana Ligia Petrone/ Flávia Motta / Maurette Brandt / Vera Matagueira
Tels.: (21) 2533-6497 / 2533-4748 / 3173-1748