COOKIES
Utilizamos apenas os cookies essenciais para o funcionamento do nosso site. Ao continuar navegando você está ciente desta condição.
OK
ANDÉ NHE’Ẽ: Nossas Vozes, Nosso Espírito | Museu Vale Extramuros
 12.Ago
 12 de agosto, das 10h às 16h
 Hub ES+, Sesc Glória (Centro de Vitória)
L  Livre

Encontro de Arte Indígena, Língua, Território e Narrativas dos Povos Originários 

Curadoria: Núcleo de Projetos da Associação Indígena Tupinikim Guarani – AITG 

Em um estado com 12 aldeias e uma produção artística contemporânea ativa, é importante ampliar as oportunidades de circulação e reconhecimento dos artistas indígenas capixabas em seu próprio território. Embora já existam exposições de diferentes origens, fortalecer a presença da produção local nas instituições culturais contribui para valorizar a diversidade e a riqueza das expressões artísticas desenvolvidas nas aldeias. 

Ao mesmo tempo, esses artistas já participam de museus, galerias e projetos nacionais, estabelecendo conexões com importantes nomes da arte indígena contemporânea e ampliando o alcance de suas produções. Esse percurso evidencia uma produção consistente, atual e profundamente vinculada às experiências, memórias e transformações vividas em seus territórios.  

Fortalecer esse movimento significa reconhecer que o Espírito Santo reúne referências, trajetórias e uma produção artística de grande relevância. As aldeias são espaços de criação, reflexão, memória e inovação, oferecendo importantes contribuições para a arte contemporânea e para novas formas de compreender o presente. Valorizar essa produção é ampliar o diálogo entre os diferentes territórios culturais e fortalecer a diversidade de perspectivas também no circuito das artes. 

……

Data: 12 de agosto de 2026 

Horário: 10h às 16h

Local: Auditório Hub ES+, Centro de Vitória

Informações: (27) 99252-7525 | museuvale.org

Classificação: Livre | Gratuito


Programação

10h às 10h30 – Ritual de abertura: Sonoridades Ancestrais
com Arthur Tupinikim

Abertura cultural com sonoridades ancestrais, promovendo o acolhimento do público e marcando o início do encontro por meio da conexão entre arte, espiritualidade, memória e território. 

Arthur Tupinikim
Jovem indígena de 19 anos do povo Tupinikim, da Aldeia Caieiras Velha, conhecido como Pyatã (“Fortaleza”, em tupi). Ator, compositor, modelo fotográfico e ativista indígena, desenvolve sua trajetória artística conectada à identidade, à ancestralidade e à luta dos povos indígenas. Utiliza a arte como instrumento de resistência, memória e afirmação cultural. 


10h30 às 12h – Mesa 1
Acervos indígenas: memória do território e modos próprios de preservar
com Herialdo Plotegher, Ana Paula Gonçalves, Franciele Guarani e Josias Guarani. Mediação por Barbara Tupinikim.

A mesa promoverá um diálogo sobre a construção de acervos indígenas, considerando as particularidades culturais, históricas e territoriais dos povos Tupinikim e Guarani.  

O debate abordará os processos de identificação, catalogação, organização, preservação e disponibilização dos materiais. Um acervo indígena não é constituído apenas por documentos, fotografias, obras e objetos, mas também por narrativas, memórias, línguas, conhecimentos tradicionais, práticas culturais e relações comunitárias. A mesa apresentará o processo de construção do acervo no território indígena Tupinikim e Guarani, destacando sua importância para a preservação da memória coletiva, para a educação indígena, para a pesquisa e para a transmissão dos conhecimentos às novas gerações. 

Também será debatida a participação dos artistas, das lideranças e das comunidades na definição do formato do acervo, dos critérios de organização e dos cuidados necessários para o registro e o compartilhamento dos conhecimentos indígenas.

Herialdo Plotegher
Graduado em Música pela UFES, especialista em Gestão Pública e Educação Musical, e mestrando em Ensino. Atuou como professor, coordenador de projetos, músico, compositor e arranjador. É Analista do Executivo na Secretaria da Cultura do Espírito Santo, com trajetória voltada à Cultura Viva, cidadania e diversidade cultural, patrimônio e formação cultural. 

Ana Paula Gonçalves
Bibliotecária dedicada à cartografia da memória e à preservação dos saberes no território indígena de Aracruz (ES). Desde 2025, mergulha na identidade cultural da região, transformando o olhar técnico do inventário em gesto de escuta e salvaguarda dos bens que formam a história do território e sua própria história.

Franciele Guarani
Artesã da Aldeia Piraqueaçu, mantém viva a cultura e a ancestralidade de seu povo. Aprendeu com a avó os saberes tradicionais transmitidos por meio de artesanatos e adornos inspirados na cultura, tradições e espiritualidade Guarani. Integra também o coral de sua aldeia, fortalecendo a cultura e a ancestralidade de seu povo.

Josias Guarani
Coordenador do Grupo de Jovens Guarani Aty Ayu Retxakã, atua na mobilização da juventude e no fortalecimento da participação na cultura, espiritualidade, organização comunitária e defesa dos direitos indígenas. O grupo participa de encontros, apresentações de coral, feiras de arte indígena, oficinas, seminários e intercâmbios.

Barbara Tupinikim
Mulher liderança da Aldeia Tupinikim Pau Brasil, atua junto ao cacique e outras lideranças no fortalecimento cultural e dos saberes Tupinikim, na luta pelos direitos indígenas na saúde, educação, soberania e segurança alimentar. Agricultora florestal, guardiã de sementes, idealizadora do Florestas de Comida e produtora cultural. 


14h30 às 15h30 – Mesa 2
Reposicionamento da arte indígena: circulação, reconhecimento, valores e estratégias
com Marcelo Guarani, Jocelino Tupinikim e Lua Tupinikim. Mediação por Barbara Tupinikim.

A mesa discutirá o reposicionamento da produção artística indígena do Espírito Santo e sua presença em exposições, museus, galerias, universidades, instituições culturais e outros espaços de circulação e reconhecimento. A conversa abordará os diferentes valores relacionados à arte indígena, considerando não apenas o preço das obras, mas também seus valores culturais, históricos, artísticos, espirituais, territoriais, simbólicos e comunitários. 

A proposta é refletir sobre como as obras indígenas podem circular e ocupar novos espaços sem perder sua relação com os povos, os territórios, as histórias e os conhecimentos que lhes deram origem. O debate também apresentará as trajetórias dos artistas indígenas do Espírito Santo, as exposições das quais já participam e as conexões estabelecidas com artistas, curadores, museus, galerias e instituições de outros estados. 

A mesa apresentará ainda as estratégias desenvolvidas pelo Núcleo de Projetos da AITG para apoiar os artistas indígenas, organizar exposições, elaborar projetos, construir portfólios, estabelecer valores para as obras e ampliar as possibilidades de circulação, reconhecimento e sustentabilidade. 

Marcelo Guarani
Líder do povo Guarani e fundador da Aldeia Ka’agwy Porã (Nova Esperança), em Aracruz (ES). Bisneto da líder espiritual Tatãtin Ywa Reté, segue a caminhada ancestral Guarani marcada pela resistência cultural, defesa do território e preservação da floresta. Atua na formação de jovens, transmissão dos saberes tradicionais e produção audiovisual. 

Jocelino Tupinikim
Graduado em Pedagogia, pesquisa a revitalização linguística como instrumento de fortalecimento da identidade cultural do povo Tupinikim. Possui pós-graduação em Educação, Diversidade e Culturas Indígenas e mestrado em Linguística e Línguas Indígenas, com pesquisa sobre políticas de línguas em área Tupinikim, na Aldeia Caieiras Velha. 

Lua Tupinikim
Artista e estilista indígena Tupinikim, fundadora da Originária Ateliê. Desenvolve criações autorais que articulam grafismos ancestrais, técnicas tradicionais e design contemporâneo. Graduada em Serviço Social pela UFES e mestranda em Antropologia Social, reúne criação artística, pesquisa e atuação cultural. 


15h30 às 16h – Encerramento com o Coral Guarani Tape Retxakã

A apresentação cultural encerrará a programação do Agosto Indígena, reunindo cantos, língua e sonoridades tradicionais Guarani. O Coral Guarani Tape Retxakã é uma expressão viva da cultura do povo Guarani Mbya no território indígena de Aracruz, Espírito Santo.