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9ª edição Encontros com a Arte Contemporânea
 13.Out
 10h às 21h30
 Teatro Universitário - Ufes
L  Livre

A programação é aberta para todo o público, gratuita e de classificação livre.

O Museu Vale realiza a 9ª edição do Encontros com a Arte Contemporânea, com o tema “Procuro-me: memória, presença e palavra”. Com curadoria de Omar Salomão e Claudia Afonso, a programação reúne Kika Carvalho, Mulambö, Lenora de Barros, Pedro Vinicio e Daniel Furlan, com mediação de Isabela Baltazar, Omar Salomão e Flavia Dalla Bernardina. O evento acontece das 10h às 21h30, no Teatro Universitário da Ufes, e termina com a apresentação artística Escute as Feras, com Maria Manoella e Lúcio Maia. A apresentação será de Matysha Matielo. O público também poderá visitar a Feira de Arte Indígena e conferir a presença da Livraria Iça-Iça.


Com perucas variadas e olhos arregalados, Lenora de Barros aparece em diversas fotos 3×4 organizadas em um poster mimetizando um cartaz de wanted americano, de busca de fugitivos da justiça. Em vez do procura-se em letras garrafais, Lenora altera o sujeito e inverte a busca: PROCURO-ME.

Quem sou? Quantos sou, fui, serei? Quantos posso ser? Como me vejo? O que me representa? Procuro-me. Quem? Foi essa a linha investigativa que usamos para o 9º Encontros com a Arte Contemporânea, seminário que carrega no próprio título a pergunta que escapa de qualquer resposta porque está sempre em movimento e sendo colocada em dúvida: o contemporâneo? Contemporâneo em relação a quê? Como se constrói, se representa, se encontra esse contemporâneo? Talvez perguntar o que é o contemporâneo seja perguntar quem somos, quem se é. Procurar-se é procurar o próprio tempo. É perder-se na procura do que nem sabemos o que é. Trazemos aqui uma captura, sempre provisória, do agora.

No século XXI, tempo, realidade e pontos de vista se estilhaçaram. Continuamos chamando a arte de contemporânea, mas o passado muda todos os dias. A arte moderna vivia num projeto: olhava para o futuro e tratava o presente como passagem, um instante que se apagava entre o que foi e o que viria. O contemporâneo não é um ponto nessa linha, mas uma sobreposição: o agora, a memória e a expectativa ocupando o mesmo instante, fora de compasso, às vezes em atrito. Cada presente inventa seus antecessores em um emaranhamento de saberes, sabores e olhares.

Procurar-se não é um gesto único, e o dia desenha um percurso. Pela manhã, Kika Carvalho e Mulambö partem da pergunta sobre o que nos representa: procuram-se na memória, criam imagens de seu universo, de quem se parece com eles, de vidas que ficaram fora do quadro. Uma cidade sem fantasmas é uma cidade sem memória, e inventá-los é uma forma de fundá-la, de povoar o presente com quem veio antes e reivindicar para essas imagens o direito de serem contemporâneas. À tarde, Lenora de Barros, que desde o fim dos anos 1970 tensiona texto, fotografia, vídeo e voz, faz da língua o lugar da busca: o corte, o experimental, o provisório, o sentido procurado entre o silêncio das letras e a confusão das palavras. Em seguida, Pedro Vinicio e Daniel Furlan apostam no humor, talvez a forma mais aguda de inteligência, que desequilibra certezas, desafina o coro dos contentes e mexe nas coisas (em nós?) até perdê-las, para depois achá-las de novo. À noite, em Escute as Feras, a partir do livro de Nastassja Martin, Maria Manoella, com trilha ao vivo de Lúcio Maia, mergulha na experiência limite da nossa própria fragilidade. A fronteira do corpo ferido, do eu que se reencontra atravessado pelo outro, por outra natureza.

Se o tempo é pessoal e varia com quem olha, lê e lembra, a cultura é comum: nasce das relações. Por isso estes são Encontros. Artistas de gerações e trajetórias diferentes e o público cruzam aqui seus tempos, suas buscas, suas inquietações para moldar novos espelhos. O vento leva as palavras, mas o tempo não passa: atravessa.

Texto do curador, Omar Salomão.


Programação:

Escritas do tempo

10h às 12h
Kika Carvalho e Mulambö
Mediação: Isabela Baltazar

A invenção de símbolos, imagens e momentos em uma poética dos afetos que trata de uma reconfiguração do presente a partir de uma criação artística que constrói, acumula e preserva memórias, em um contemporâneo que atravessa temporalidades.

Trajetória

14h às 15h30
Lenora de Barros
Mediação: Omar Salomão

O corte na língua: a busca de sentido e de si entre o silêncio das letras e a confusão das palavras. O experimental e o provisório. E o vento levava as palavras.

Mantendo o caos e a ordem / Mantendo o caos em ordem / Mantendo em ordem o caos

17h às 19h
Pedro Vinicio e Daniel Furlan
Mediação: Flavia Dalla Bernardina

Processo criativo, relações entre arte e vida, imagem e texto, humor e existência. Como escreveu Tunga: “Sempre gostei de bagunça. Não de ordem nem desordem. Bagunça. O que tenho à mão vou mexendo até perder, para depois achar de novo.”

Espetáculo teatral + Conversa

20h às 21h30
Escute as Feras
Com Maria Manoella e Lúcio Maia

Adaptação do livro homônimo da antropóloga francesa Nastassja Martin, o espetáculo é protagonizado por Maria Manoella e tem direção musical de Lúcio Maia.